sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rodeios: dor nos bastidores do espetáculo

Aparentemente, os cavalos e touros apresentados nos rodeios são furiosos e indômitos por natureza. Sucede, porém, que esses animais são mansos e normalmente encontram-se no último estágio de sua vida. Para que o rodeio se realize através dos sucessivos atos de montaria sobre o dorso dos animais, são submetidos à dor intensa em regiões vitais de seu corpo, a fim de parecerem naturalmente furiosos. Os animais utilizados nos rodeios são afligidos tanto antes quanto durante o espetáculo, bem como nos treinos dos montadores.
Dentre os diversos aparelhos utilizados para afligir os animais, a fim de que dêem saltos e corcoveios, pode se verificar o uso do sedém, das esporas, das peiteiras, bem como a aplicação de choques elétricos nos seus órgãos genitais.
O sedém é uma tira de crina de animal que é fortemente amarrada no flanco inguinal (virilha) dos animais. Do uso do sedém resulta a compressão dos ureteres dos animais (canais que ligam os rins à bexiga), além da compressão do prepúcio, do pênis e do escroto que fazem o animal saltar desesperadamente, a fim de livrar-se do incômodo e da dor.
As esporas, com formato rombo ou pontiagudo, acopladas às botas dos peões, são utilizadas para golpear o animal em locais como o baixo-ventre, o pescoço e a cabeça, podendo inclusive até cegá-los, e, em conjunto com o sedém e demais instrumentos, levam o animal a saltar de forma mais intensa, devido ao grande sofrimento que lhe é causado.
Da mesma forma, freqüentemente utilizada nos rodeios, as peiteiras consistem em cordas de couro fortemente atadas e enrijecidas em redor do peito dos animais por detrás de suas axilas. As peiteiras causam uma sensação de asfixia no animal, provocando-lhe medo e liberação de substâncias que alteram seu comportamento. Nas peiteiras são acrescentados sinos, também chamados de polacos, os quais produzem um barulho altamente angustiante ao animal, ficando ainda mais perturbador a cada corcoveio deste. Aliás, vale ressaltar que a irritação causada pelos polacos aos touros é  intensa.
O objetivo deste complexo de artifícios é provocar os pulos e corcoveios do animal, com maior intensidade, devido às fortes dores em seu tronco e às perturbações provocadas no seu sistema nervoso.
Existem ainda outros métodos e artifícios, utilizados antes dos animais entrarem na arena dos rodeios que, além de provocarem mais saltos e corcoveios dos animais, não são percebidos claramente pelos espectadores. Vale destacar: o uso de choques elétricos e mecânicos, que são aplicados nos órgão genitais do animal; a utilização de objetos pontiagudos, tais como pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol colocados sob a sela do animal; a inserção de terebintina e pimenta no corpo do animal, para que fiquem ainda mais enfurecidos; a disposição de substâncias abrasivas, que ao entrarem em contato com cortes e outros ferimentos no corpo do animal causam uma sensação de ardor insuportável; a aplicação de golpes e marretadas na cabeça do animal que costumam produzir convulsões, sendo métodos bastante utilizados quando o animal já está velho ou cansado, com o objetivo de provocar sua morte; e, a prática da descorna, que é a retirada, sem anestésico, dos chifres do touro com a utilização de um serrote, para a realização de determinadas provas, provocando ainda mais sangramentos e dor.
Todos esses métodos e artifícios são praticados no brete, que é o local onde os animais ficam presos antes da provas e são preparados para montaria.

Fonte: excertos adaptados do artigo de Gabriel Campos de Souza

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